A arquitectura em tempos de crise

Crise econômica, social, ambiental… Tempos de crise são também oportunidades para revisão de paradigmas, revisão das receitas prontas e experimentação.

Foi o que ocorreu na segunda década do século XX  quando as pressões sociais, econômicas e industriais, diante de uma crise emergente, demandaram um novo modelo de consumo, uma nova forma de habitar e uma nova lógica de produção do espaço, dedicada prioritariamente ao atendimento das urgências sociais: habitação, renovação urbana, salubridade, racionalidade. Os arquitetos e urbanistas se aproveitaram daquele momento e transformaram a crise anunciada em uma revolução de idéias; converteram as demandas econômicas, sociais e industriais em novos princípios projetuais; foram além das urgências de ocasião e construíram utopias; converteram imposições externas em fundamentos teóricos; souberam – estrategicamente – sair da posição de reféns de um mundo em crise e assumiram o papel de protagonistas de um novo modelo social de produção do espaço. E assim nasceu o Racionalismo, o movimento Moderno… e o resto da história conhecemos bem. Mesmo os mais ferrenhos críticos reconhecem a importância dessa ruptura paradigmática para a construção dos modelos que ainda hoje orientam a construção das cidades contemporâneas.
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